Autor: Nádia Jung Fotógrafa

Ocupação Fotógrafa Independente desde 2007/ Photographe indépendant depuis 2007/ Freelance photographer since 2007 Habilidades Mundo do vinho Fotógrafa especialista . Imagem Comunicação , foto e vídeo Photographe spécialiste du monde viticole. Communication par l'image, photo, vidéo en partenariat avec Jean Claude / Photographer specialist wine world . Communication image , photo, video in partnership with Jean Claude. Informações Gerais - Fotógrafa freelancer, crio imagens e exposições e bancos que direcional o setor agrícola para o da arte . Photographe indépendant je crée des banques d'images et des expositions afin de lier le monde agricole a celui de l'art. Freelance photographer I create images and exhibitions banks to link the agricultural sector to that of art. Descrição- A imagem é onipresente hoje e do mundo do vinho pode fazer sem belas imagens para sua comunicação , imagens que falam , que contam a vida de vinho, uvas e as pessoas que lá trabalham. The image is omnipresent today and the world of wine can do without beautiful images for his communication , images that speak , that tell the life of wine , grapes and people who work there. L'image est aujourd'hui omniprésente et le monde du vin ne peut se passer de belles images pour sa communication, des images qui parlent, qui racontent la vie du vin, de la vigne et des gens qui y travaillent.

Casulo.

O tempo – aqui – parou.
Pouco se ouve do que lá de fora se anuncia; Pouco se percebe nas mudanças de cor de um dia. Eterno eu, enquanto só, pois só assim consigo tecer, tricotar as linhas e conceber os coletes que o amanhã me irá vestir.
Roupa espalhada, tal como as ideias que – disparadas – fazem ricochete nas paredes rugosas e no baixo tecto; Não há uma única vez que este cenário não me faça sorrir.
O vento – aqui – ouve-se todo, sem lasca de pedaço que lhe falte. E, quando chove, é um duche de emoções, arrepios de prazer; No imediato, sou um bicho de conta, que se enrola para se proteger, ou então para me surpreender.
Um quadro kitsch é o altar, assim como há imensa lonjura neste quase perfeito estar. É a preguiça que o comanda, do alto do seu fato-general, armada em senhora governanta; Como se eu, alguma vez, tivesse a veleidade de aqui mandar.
Linha após linha, a tecelagem ganha vida, neste casulo sorteado; De facto, poderia estar em outro qualquer lado. Até agora tem sido a minha ilustre fábrica, gaiola que ferve no Verão e, no Inverno, se torna aliada de uma mancha polar árctica.
O que não se vê é enorme, pois também disforme. Pareço uma criança a rebolar pelo chão, assim que me apanho de chinelo na mão; Um cachorro a pedir seios, de quando em vez, para acalmar as meias loucuras. Lá fora, um terraço comprido, de onde se avista tudo o que permitido é; E o que é permitido? Tudo o que se vê, o que está para lá do visível e, ainda, aquelas coisas que só se avistam com olhos semeados de torturas.
Não há medo, aqui onde me escondo; Muito menos existe o preconceito de arrumar a tralha para receber um conde.
Aqui me escondo, de cada vez que me decido a subir escadas. E, nessas vezes, falo ao silêncio – e, ele, responde-me de viva voz, murmurando dilemas, afagando problemas e dizendo-me para lhe pertencer. Ouço-o, na perfeição, só não sei bem de onde.
Agora – aqui – três clarabóias avisam-me que o dia tem luz. Não tarda muito a que me digam o contrário, algo que ainda mais me seduz.
Ouço a insistência de um arame no roçar daquelas telhas; Como se me ouvisse a mim, sem vozes na serena barragem dos sentidos. É um mero casulo, desarrumado quando lhe tiro meio retrato; Mas é – também – o amparo que visto, e dele abuso, quando necessito de selar um contrato.
O tempo – aqui – parou. E eu agradeço-me, por não ser apenas mais uma das personagens da peça ‘Insípida Vida’, em cena num qualquer teatro.
Concebido o casulo, resta-me repousar em crisálida; Certo – é uma tontura, uma opção pálida.
Entre saídas e entradas, subidas e descidas, é apenas aqui que me torno o que resta – mero desistente da vida, a tal que foi escolhida como válida.

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